Por Eclézio Santana

A oposição das federações de medicina á vinda dos médicos estrangeiros, não
represente uma preocupação quanto sua qualificação profissional no serviço
destinado ao povo brasileiro, todavia, suspeita-se que essa aversão seja uma
defesa corporativa, provavelmente temendo concorrência nos empreendimentos dos
planos de saúde e clinicas privada. Por isso, usam desse expediente, como
também da deficiência dos hospitais, em pretexto na defesa do atual quadro.
Apesar da constatação do déficit de médicos, especialmente nas regiões
Nordeste, Norte e periferias dos grandes centros, como atestam os jornais,
federações de medicina insistem na tentativa de obstaculizar as suas vindas.
Essas talvez os vejam como potenciais concorrentes aos cada vez mais lucrativos
negócios dos planos de saúde e clinicas privada. Pois, se houvesse de fato
preocupação ao possível despreparo, puniria aqueles que com freqüência cometem
falhas tanto técnicas quanto de conduta, noticiadas constantemente, desonrando
a classe, por conseguinte colocando em risco a saúde da população.
Outro ponto levantado é a falta de hospitais e suas ruins condições para
realização de procedimentos, como exames e cirurgias. Convém ressaltar, no
entanto, que não seria razoável só poder contar com médicos, apenas, onde
existissem unidades equipadas. Nesse caso, estariam abolidos os postos de
saúde, tão quanto, uma forma da medicina preventiva. Por isso, parece prudente,
que esses recebam todo o apoio necessário por parte dos envolvidos, e as
cobranças daqueles por melhorias se adicionem a vinda desses; colocando o povo,
parte mais importante da questão, em primeiro plano.
Fica evidente, nesse sentido, que instituições e profissionais tão importantes
á saúde da população brasileira, tem se comportado de modo intransigente, se
posicionado de forma contrária a possibilidade de mais profissionais,
conseqüentemente dificultando o maior acesso de um serviço essencial. Desse
modo, se faz necessário e urgente que políticas fundamentais como essas não
sejam direcionadas pela lógica corporativa, tão quanto do mercado ou do lucro;
além disso, antes de qualquer critério, deve-se colocar às necessidades do povo
mais carente, especialmente, nesse caso, o das periferias e interiores.